A reforma tributária brasileira trouxe muitas novidades, mas poucas são tão transformadoras quanto o split payment. Se você ainda não ouviu falar, precisa prestar atenção: esse mecanismo vai alterar profundamente a forma como as empresas pagam tributos, gerenciam fluxo de caixa e se relacionam com clientes e fornecedores.

No blog do Lordelo Lopes, especialistas em direito tributário, explicamos o que é split payment, como ele funciona na prática e quais os riscos e oportunidades para o seu negócio.


✅ Afinal, o que é split payment?

Split payment (ou pagamento dividido, em tradução livre) é um mecanismo de arrecadação que separa, no momento do pagamento de uma operação, o valor referente ao tributo devido do valor líquido da transação comercial.

Na prática:

O resultado? O tributo não passa mais pelo caixa do vendedor, reduzindo drasticamente o risco de inadimplência fiscal e aumentando a transparência de toda a cadeia.


📅 Lançamento histórico: primeiro split payment privado do Brasil

Nos dias 13 e 27 de abril de 2026, o Banco Rendimento e a ROIT apresentaram o primeiro projeto estruturado de split payment privado do país, voltado para a CBS e o IBS. O evento ocorreu na sede do Google Cloud, em São Paulo, e reuniu especialistas, executivos e idealizadores da reforma tributária.

A solução, que está em fase piloto com empresas, incorpora:

O objetivo é permitir que empresas se conectem a bancos, ERPs e ao sistema fiscal de forma integrada, antecipando um dos pilares operacionais do novo modelo tributário.


🧠 Por que o split payment é tão importante?

Eurico de Santi, um dos idealizadores da PEC 45/2019 (que deu origem à reforma), resume bem a importância do mecanismo:

“O split payment criou essa situação muito especial de fazer com que quem efetivamente paga o tributo tenha direito ao crédito, se for contribuinte. E, se não for contribuinte, ele vai ter o direito à informação transparente de quanto está pagando.”

Hoje, as notas fiscais geram créditos que “valem como moeda” para pagar tributos, mas não há controle efetivo sobre esses créditos nem sobre o pagamento real dos tributos. O split payment resolve essa distorção ao vincular o pagamento do tributo ao momento da transação.


🔍 Exemplo prático de split payment

Vamos supor que uma empresa compre um bem por R$ 1.000,00, com uma alíquota combinada de CBS + IBS de 25%.

Sem split payment (modelo atual):

Com split payment:


📊 Os 4 cenários possíveis nas relações comerciais

Durante o lançamento, Lucas Ribeiro, CEO da ROIT, detalhou quatro modelos de liquidação que devem surgir com a reforma. Cada um impacta de forma diferente o caixa e o risco das empresas.

1. Modelo padrão (“pagar o pato”)

2. “Roleta russa”

3. Liquidação integrada (“cash burn”)

4. Modelo ideal (“super fair”)

⚠️ Atenção: o padrão tende a ser o pior cenário se as empresas não ajustarem contratos e não definirem como vão operar.


💰 Impacto direto no fluxo de caixa

O split payment não é apenas uma mudança operacional – é uma nova variável competitiva.

Como explicou Lucas Ribeiro:

“Quando o tributo é recolhido no momento correto e o crédito é apropriado de forma imediata, você deixa de carregar distorções financeiras. Em alguns cenários, esse crédito retorna em poucos dias, o que melhora o capital de giro de forma significativa.”

Por outro lado, empresas que não se adaptarem podem enfrentar:


🏦 O papel do sistema financeiro e da tecnologia

O presidente do Banco Rendimento, Cesar Ades, destacou a importância de construir infraestrutura desde já para suportar o novo modelo.

A solução desenvolvida permite:

“O contas a pagar vai ter que ter controle nota a nota, pagamento por pagamento. A gestão precisa ser em tempo real para garantir a posição correta.”


⚠️ O que acontece com quem não se preparar?

A mensagem foi direta:

“Se nós não fizermos nada, esse é o cenário em que todos nós estaremos.”

E complementou: “O erro, agora, custa muito caro.”

Empresas que ignorarem o split payment e a nova lógica tributária tendem a cair nos modelos mais desfavoráveis – pagando tributos sem crédito garantido ou assumindo riscos financeiros desnecessários.


🎯 Conclusão: planejamento tributário é urgente

O split payment não é apenas uma novidade tecnológica – é a nova forma de pagar tributos no Brasil. A partir de 2027, com a implementação em maior escala da CBS e do IBS, empresas que não se adaptarem estarão em desvantagem competitiva significativa.

No Lordelo Lopes, especialistas em direito tributário, podemos ajudar sua empresa a:

Entre em contato com o Lordelo Lopes. O momento de planejar é agora – o erro custa muito caro.


Gostou do conteúdo? Compartilhe com seus sócios e gestores financeiros. A reforma tributária chegou – e quem se antecipa sai na frente.

Leia também o texto https://lordelolopes.adv.br/brasileiro-exterior-domicilio-fiscal/